Vi esse VÍDEO de Chico Buarque, e mais uma vez me surpreendo com a simplicidade e a sabedoria do grande mestre de nossa música. De forma extremamente leve e bem humorada, Chico fala da pequenez de um mundo movido pelo comentário da vida alheia, da banalização da informação (como a divulgação da morte de Amin Kadher, hoje, pela Record, com apresentadores chorando ao vivo, e ele correndo na praia... o jornalismo da Record atingiu seu ápice), dos julgamentos destrutivos, como, por exemplo, chamar alguém de "bêbado" ou de "velho". Chico faz sua arte como se fosse o cotidiano e ri do mundo do "espetáculo". Nós idolatramos Chico, mas, para ele, seu trabalho é apenas uma necessidade de criação artística. Chico não precisa ser o "Rei", já temos os Pelés e os Robertos, artistas vendidos para uma emissora de televisão, para ocupar esses postos. Sua alegria e seu espírito sempre jovens é contagiante, como a sua obra. Muitas pessoas que se julgam "deuses" devem aprender com esse grande artista.terça-feira, 28 de junho de 2011
Mestre Chico, sempre Chico
Vi esse VÍDEO de Chico Buarque, e mais uma vez me surpreendo com a simplicidade e a sabedoria do grande mestre de nossa música. De forma extremamente leve e bem humorada, Chico fala da pequenez de um mundo movido pelo comentário da vida alheia, da banalização da informação (como a divulgação da morte de Amin Kadher, hoje, pela Record, com apresentadores chorando ao vivo, e ele correndo na praia... o jornalismo da Record atingiu seu ápice), dos julgamentos destrutivos, como, por exemplo, chamar alguém de "bêbado" ou de "velho". Chico faz sua arte como se fosse o cotidiano e ri do mundo do "espetáculo". Nós idolatramos Chico, mas, para ele, seu trabalho é apenas uma necessidade de criação artística. Chico não precisa ser o "Rei", já temos os Pelés e os Robertos, artistas vendidos para uma emissora de televisão, para ocupar esses postos. Sua alegria e seu espírito sempre jovens é contagiante, como a sua obra. Muitas pessoas que se julgam "deuses" devem aprender com esse grande artista.sábado, 25 de junho de 2011
A Escola de Atenas
O quadro A Escola de Atenas, pintado pelo renascentista Rafael Sanzio, sob encomenda do Papa Júlio II, é um dos que mais me impressionaram durante os estudos de História da Arte, dada a carga de informações e conhecimento histórico e filosófico que nele está contido. Filósofos, matemáticos, cientistas e astrônomos conversam dentro de uma basílica. Ao centro, estão os filósofos clássicos, Platão (segurando sua obra Timeu) e Aristóteles (com seu livro Ética). Mais à esquerda de quem observa o quadro está Sócrates, o pai da filosofia, em posição que representa bem o seu método de filosofar, o da refutação e dialética, em que o interlocutor é conduzido ao caminho da verdade, após tomar conhecimento da sua própria ignorância. O próprio Rafael aparece no quadro, no canto direito do nosso olhar, olhando para nós, talvez, em uma atitude irônica, característica do período renascentista, já que pintou Platão ao centro, justamente aquele que contesta a atividade artística, já que se o mundo perfeito é o que está no campo das ideias e o que existe no campo terreno são cópias imperfeitas desse mundo ideal, a obra de arte seria uma cópia da cópia, ou seja, cópia da imperfeição.Platão aponta para cima, justamente para fazer referência ao mundo inteligível, das ideias, enquanto que Aristóteles tem a palma da mão voltada para baixo, fazendo referência ao mundo sensível, do conhecimento pela experiência. Aristóteles chegou na academia de Platão com apenas vinte anos, e sem passar por outros mestres, contestou muito da tradição platônica, pois era inteligente demais para assimilar tudo passivamente. Dentre tantos belíssimos quadros, cheios de significações e beleza, escolhi A Escola de Atenas, também influenciado pelas aulas de filosofia, para iniciar outras postagens sobre essa nobre arte das pinturas.
sábado, 4 de junho de 2011
Quando iniciei o curso de História da Arte, confesso que meu espírito se assemelhava a um estudante de Letras sedento pela gramática: imaginava estudar os detalhes de cada pintura, de cada quadro. Os quadros estavam lá, mas nas paredes também havia música, teatro, cinema, escultura e arquitetura. Indiretamente, conheci a obra do músico alemão Karlheinz Stockhausen (1928-2007), que entre outras personalidades, como Aldous Huxley, Bob Dylan, Jung, Edgar Alan Poe, Fred Astaire, Marx e Marilyn Monroe, aparece na capa do álbum dos Beatles, de 1697.
Esse músico clássico influenciou toda a música eletrônica do século XX, além de contribuir musicalmente para o rock'n roll, a ponto de ser chamado para participar da capa e disco dos Beatles. Sua grande inovação foi compor várias orquestras, simultâneas e independentes, cujos cojuntos de som retirava o público de seu eixo, aproximando-se muito da alma do rock, influenciando monstros da música, como Pink Floyd, e revolucionando as questões de ritmo e harmonia.Texto dissertativo
Estou tendo uma experiência muito direta com cursos preparatórios para vestibulares e concursos públicos, na elaboração de materiais, no planejamento e dentro das salas de aula, onde dialogo com centenas de rostos preocupados, olhando-me, buscando entender a gramática (normativa), o estudo textual, a literatura. Quando saio da sala, já estão se esquecendo do que eu disse, pensando em logarítimo, no revelo nacional ou na Independência dos Estados Unidos, ou não. Ensinar é uma arte constante de se alegrar e de se frustrar, mas viciante.Modelo e orientações para o texto dissertativo (cada parágrafo deve ser iniciado com espaçamento da margem).
A expansão dos direitos civis para os homossexuais
(título centralizado, primeira maiúscula, espaço de 1 linha)
As questões morais e religiosas são insuficientes para justificar a restrição aos direitos civis quando se trata dos homossexuais, já que (apresentar uma ideia e explicá-la, desenvolvê-la) na sociedade contemporânea as bases formadoras de comportamentos se enfraqueceram diante da multiplicidade e complexidade das relações entre as pessoas e delas consigo mesmas.
(o primeiro parágrafo é a introdução, deve conter o posicionamento do autor do texto e os elementos que serão desenvolvidos nos parágrafos intermediários, neste caso, questões morais, religiosas, sociedade contemporânea e mudança de comportamento).
Desde a Revolução Francesa (apresentação de um fato conhecido, pertinente e importante), o ser humano buscou a igualdade de direitos, embora, o rumo da sociedade capitalista tenha potencializado a desigualdade entre as pessoas, porém (promover a coerência), no campo civil, muitas vitórias ocorreram, no que diz respeito aos direitos de negros, crianças e mulheres, trazendo um novo cenário para os grupos considerados minoritários, dentre eles, os homossexuais (sempre trazer o tema para o texto).
(dividir as ideias nos parágrafos; não construir parágrafos muito extensos ou muito curtos no desenvolvimento)
A discriminação, muitas vezes (relativização) baseadas em dogmas morais e religiosos (desenvolvimento do que foi apresentado na introdução), passou a ser pensada e rejeitada por boa parte da sociedade, haja vista que a etnia, gênero, religião ou opção sexual (volta à questão do tema) não retiram a condição de ser humano, ou seja, de identificar-se com o outro, além disso, as atrocidades cometidas no início do século XX (apresentação de fato conhecido), com as duas grandes guerras e a constituição dos Estados nazi-facistas, demonstrou que estabelecer critérios de superioridade, fundamentado em falsas ideologias que tratam as diferenças de maneira pejorativa e perigosa, causa danos irreversíveis à vida em nosso planeta, inaceitáveis na sociedade contemporânea, já experimentada em relação aos conflitos entre os homens.
Superadas as questões morais e religiosas, advindas da tradição cultural, muitos países europeus e, mais recentemente, a Argentina (apresentação de caso concreto), aprovaram a lei que reconhece e garante os direitos civis para os homossexuais (tema), inclusive (fortalecimento da ideia), o direito à união estável, com isso (fortalecimento da ideia), demonstrando que é possível pensar as relações sociais de uma outra maneira, quando o objetivo é promover a igualdade e combater a discrimação, o que, no dia a dia, já se observa no Brasil, país propenso ao respeito e à multiplicidade cultural, étnica e sexual, em virtude da sua própria formação histórica, ainda que haja focos de resistência em alguns setores da sociedade.
Sendo assim (conclusão, último parágrafo, síntese do que foi exposto), promover um pensamento e comportamento que incentivem o respeito às diferenças e busque a igualdade de direitos é dever do poder público e da sociedade civil, que necessitam criar mecanismos que garantam esses direitos fundamentais, além de formar pessoas (mudança de comportamento, como apresentado na introdução) que se respeitem e que construam um mundo com muito mais paz e igualdade entre todos.
Considerações Gerais
- dissertar é expor uma ideia, argumentar acerca de um tema, com impessoalidade (não se deve utilizar primeira pessoa, eu acho que, eu penso que, na minha opinião), objetividade e clareza (selecionar o vocabulário empregado, linguagem padrão, evitar repetições e ideias vagas como: entre outros, etc), concisão (ideias diretamente relacionadas) e coerência (ideias que não se contradizem).
- fugir do tema, não abordá-lo ou se contradizer é erro grave.
- faça um texto rascunho, para depois corrigir a escrita (sintaxe, concordância, ortografia) e aprimorar o conteúdo (use os concetores de sentido).
- não use gíria, frases prontas, jargões, provérbios ou expressões populares.
- respeite as margens, escreva de forma legível, acentue e use corretamente a vírgula. Em caso de erro ortográfico, deixe a palavra entre parênteses, passando sobre ela um traço único.
- Divida o texto em introdução, desenvolvimento e conclusão; organize os parágrafos.
- Caso seja solicitado número de linhas, tenha como referência o limite de três para mais ou para menos.
- Não se esqueça do título, que deve contribuir para o sentido do texto (evite títulos simplistas, como: O aborto / A eutanásia / A fome).
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Irará (nascido da luz do dia)
Rousseau acreditava no homem puro em seu estado de natureza, dizendo que a sociabilidade o corrompe. Muitas das ideias deste filósofo foram confirmadas no sistema da vida contemporânea. No dia 15, deste mês, cheguei a Irará (nome que deriva de Arará, uma espécie de formiga vermelha), na Bahia. Apesar de ser uma cidade pequena do estado baiano, Irará tem nobres filhos, como o cantor Tom Zé, o pesquisador Emídio Brasileiro, Diógenes de Almeida Campos, um dos mais importantes paleontólogos do Brasil, o goleiro Dida e, para mim o mais ilustre de seus filhos, Antonio Ribeiro, meu pai.
Desbravada pelos padres jesuítas e por bandeirantes que buscavam ouro, a cidade teve como primeiros habitantes as populações dos índios paiaiás, aliás, de onde meu avô descende. Próxima a Feira de Santana, e a 137 Km de Salvador, a cidade conta com uma população aproximada de trinta mil habitantes, que sobrevivem basicamente da produção agrícola e do comércio local.terça-feira, 12 de abril de 2011
Os Deuses Malditos - A Estética Nazista
Os Deuses malditos, originalmente sob o título de La caduta degli dei (A queda dos deuses), foi dirigido pelo cineasta italiano Visconti Luchino, sendo lançado em 1969, na Alemanha e na Itália. Hitler e o nazismo estão em segundo plano em relação ao tema principal, que é a constituição da família Krupp, dona de um grande império de usinas de aço, que inclusive, sustentava o poderio do regime nazista. No interior dessa família, as mais condenáveis atrocidades ocorrem na luta pelo poder, desde assassinatos, adultérios, incesto, bebedeiras, orgias e pedofilia.segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
ANIVERSÁRIO DO ÁGUIA NEGRA - 21 DE MAIO - TODOS CONVIDADOS!!!
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Os escritores malditos
Pietro Arentino (Itália, 1492-1556): autor de "Diálogo das Prostitutas" e conhecido no seu tempo como "secretário do mundo", Arentino influenciou muitos outras poetas, inclusive Bocage, onde é citado no soneto Já Bocage não sou... (Outro Arentino fui, a santidade manchei). Filho de um sapateiro com uma prostituta, desenvolveu uma obra mordaz e pouco moral, o que rendia um certo temor da nobreza da época. Caso atípico na história literária, foi protegido por esses nobres, inclusive, muito admirado pelo Papa Leão X e por outros importantes religiosos, que o protegiam, obteve um prestígio que lhe rendeu vida tranquila e fortuna. Além dos poemas, escreveu peças teatrais, comédias e tragédias. Seus versos, talvez pelo caráter pornográfico, são poucos estudados no Brasil, onde seus livros são muito raros.
Lord Byron (Inglaterra, 1788, 1824): exerceu grande influência sobre os poetas românticos, tendo uma vida extremamente atribulada, em razão das numerosas amantes (segundo alguns, a primeira delas teria sido uma babá, quando Byron tinha nove anos!), geralmente casadas, das dívidas (apesar de seu título de nobreza) e denúnicas de incesto, quando se enamorou da irmã, com quem teria tido um filho. Começou a publicar seus poemas ainda muito jovem, obtendo grande fama e prestígio, pela força e qualidade de seus versos, que tiveram grande repercussão na Europa. Em 1823, Byron se une às tropas gregas na luta contra a Turquia, vindo a falecer no ano seguinte, após sucessivos ataques epiléticos. Adorado na Grécia, seu coração foi retirado e enterrado em solo grego, enquanto que seus restos mortais foram enviados à Inglaterra. Sua vida e obra representou o ideal de liberdade do homem romântico, influenciando poetas em todo mundo, como Álvares de Azevedo, no Brasil. Além dos poemas, escreveu a peça "Dom Juan". Não são muitas as traduções e biografias do autor em português, sobretudo pela dificuldade de tradução dos poemas.
Arthur Rimbaud (França, 1854-1891): como Bukowski, a poesia de Rimbaud é sinônima da própria vida do poeta, característica esta comum aos escritores malditos. De caráter simbolista, sua poesia foi escrita quando ele era ainda adolescente. Rebelde, fugia de casa com frequência. Aliou-se à Comuna de Paris, onde, provavelmente, tenha sido abusado sexualmente por soldados bêbados, época em que passou a beber em grandes quantidades e marcar seu estilo com roupas velhas e cabelos longos. Após conhecer o poeta simbolista Paul Verlaine, tornaram-se amantes e passaram a viver uma vida desregrada, regada a absinto e haxixe. Ciumento e passional, Verlaine chegou a atirar contra Rimbaud, durante uma bebedeira. Por essa relação tumultuada, e com a interferência da própria esposa, Verlaine ficou preso durante dois anos. Rimbaud desenvolveu uma série de atividades, dentre elas, tráfico de armas na África, adquirindo um carcinoma no joelho, o que lhe causou a amputação da perna. Morre com apenas 37 anos, após o agravamento de seu estado de saúde.
Marquês de Sade (França, 1740-1814): escritor libertino, deu origem ao termo sadismo, que designa perversão sexual e prazer com a dor do outro. Tece críticas à sociedade urbana e à religião, propondo uma nova ordem moral. Dentre seus livros estão 120 dias de Sodoma, Justine, A Filosofia na Alcova e Diálogos entre um padre e um moribundo, a maior parte deles escritos enquanto esteve encarcerado. Pode ser considerado um dos pioneiros na discussão da Revolução Sexual e da prática homossexual, assunto que foi abordado pela pensadora Simone di Beauvoir no ensaio "É preciso queimar Sade?". Morreu no hospício, aos 74 anos.
Charles Bukowski (Estados Unidos, 1920-1994): nascido na Alemanha, mudou-se para Los Angeles ainda criança. Sua vida é sua obra. Sem afeto familiar e com o rosto deformado pela acne, viveu e escreveu sobre prostitutas, mendigos, bêbados e miseráveis. Tinha repulsa ao trabalho formal e se alcoolizava com frequência, porém, desenvolveu o gosto pela leitura. Escreveu em quartos de pensão, recebendo menos de R$ 200,00 por mês, alimentando-se uma vez ao dia. Com o passar dos anos, foi reconhecido e traduzido mundialmente, inclusive, sendo sua obra adaptada para o cinema. Entre seus livros estão Crônicas de um amor louco, Notas de um velho safado e O Amor é um cão dos diabos.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Somos americanos, do hemisfério sul
Há algumas horas, estive no motoclube Águia Negra, e ouvi novamente uma canção de que gosto muito, chamada "Milho aos Pombos", do cantor Zé Geraldo, na voz do incrível Hélio França (sorte de quem já teve o prazer de ouvi-lo). Revisando uma apostila de História, deparei-me com a seguinte citação de Geoffrey Blainey em seu best-seller "Uma breve história do mundo": a história do mundo poderia ser escrita como uma sequência de guerras entre clãs, tribos, nações e impérios, e penso, agora eu, como somos estúpidos. Recentemente foram lançados os diários de Claretta Petacci, acerca do metrossexual (atitude e termo absurdos) ditador italiano Benito Mussolini, egocentrismo incentivado por milhares de mulheres enlouquecidas pela duvidosa beleza do fascista, prova de como os valores humanos são constestáveis. Terminou sendo arrastado, fuzilado e pendurado em praça pública, junto da amante e de outros fascistas.Um mundo antes dividid
o ideologicamente em leste e oeste, ocidente e oriente, agora se divide em norte e sul, parte superior e parte inferior, posição que os homens parecem valorizar em suas práticas cotidianas. Não há nada mais podre e nojento do que alguém que olha outro ser humano de cima para baixo, na maior parte das vezes, em função do dinheiro. Ainda por esses dias, ouvi na CBN, uma entrevista em que se comentava o problema dos executivos em relação à classe C, que ascendia ao mercado de consumo, já que esses empresários não conseguiam estabelecer um diálogo com quem não era da classe A e B, por preconceito ou falta de afinidade. Haja sonrisal!!!Então lá estava eu, ouvindo Zé Geraldo, cantor mineiro, nascido em 1944, que tematiza em suas músicas o comportamento dos homens e a barbárie das ações humanas, apesar de ainda restar no amor singelo uma fonte de água pura, algum oxigênio. Fiel a seu estilo, o cantor e compositor amargou na década de 80 a indiferença das grandes gravadoras, interessadas no boom sertanejo, do qual se negou a fazer parte, ou a ser parte, época que abriu o cenário ao "pagode" nacional. Enquanto tudo isso acontecia, que ensejou na qualidade musical que temos (que ouvir) hoje, Zé Geraldo continuava jogando seus milhos aos pombos. Três décadas depois, aqui estou eu, um pombo, alimentando-me do milho jogado pelos bons artistas que este país muitas vezes se esquece de reconhecer. Viva Meiga Senhorita, Galho Seco, Como Diria Dylan. Viva Zé Geraldo, estradeiro que não precisa da nossa mídia para fazer sua arte.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Pare o mundo que eu quero descer!!!
O Ministério do Turismo é um dos mais disputados, já que com os jogos internacionais de 2014 e 2016, transitará por ele quantias estratosféricas. Pedro Novais, o ministro convocado por Dilma, assume já com uma denúnica de desvio de dinheiro público, R$ 2.000,00, para pagar a conta de uma festinha para casais em um motel no Maranhão. O jogo pelo poder e a disputa por cargos já cheira muito mal. O mundo está cada vez pior, as pessoas estão se devorando de todas as formas, há poucas válvulas de escape a nossa disposição e temos que estar muito atentos a elas, pois os interesses vis estão enchendo nossos corações e mentes de gás carbônico. Não que o mundo um dia tenha sido só cores. Os interesses de poucos sempre movimentaram essa máquina, porém, há duas ou três décadas, não posso falar de dois ou três séculos, as coisas pareciam ser mais suportáveis.Ontem, segunda-feira (10), assisti a três excelentes programas na TV Cultura, Roda Viva, que entrevistou o antropólogo Roberto da Mata, Cultura Documentário, sobre a vida de Charles Bukowski e A Invenção do Contemporâneo. Qual terá sido a audiência desses programas? Qual será a audiência de Entrelinhas, Vitrine, Provocações, este último, para mim, o melhor programa da televisão brasileira. Será que atingiram o Ibope de Superpop e o desfile de biquínis? Nosso tão valorizado real não é nada perto da força cambial de uma bunda. Vai começar mais um Big Brother e novamente veremos um bom jornalista se bestializar em frente às cameras. As pessoas se assustam, reclamam, matam seus filhos com as armas que eles próprios criaram, como um EUA e Afeganistão. Karl Marx dizia que o capitalismo encerra em si os germes de sua própria destruição. Estava absolutamente correto, mas nos escondeu que essa destruição seria lenta e extremamente dolorosa.
José Saramago criticava a religião e a política, dizendo que vivemos em uma falsa democracia, uma democracia mantida e voltada para poucos. Basta olhar as escolas, os hospitais, o lazer, a moradia, a condição de vida de 98 % da população. Não dá mais para acreditarmos e nos conduzirmos como se vivêssemos no Planeta Xuxa. Ontem assisti ao documetário sobre Bukowski, o último escritor norteamericano maldito, que tematizou sua vida e sua obra com prostitutas, álcool, sexo, pessoas miseráveis, experiências escatológicas (excrementos). Mesmo reconhecido, famoso e consagrado, o alemão que viveu desde cedo no submundo de Los Angeles, não exigiu para si o estrelismo, a fama, os holofotes. Conquistou apenas o direito de viver como acreditava, entre os mesmos vagabundos. Tendo escrito por vários anos por U$ 100,00 ao mês (R$ 169,00), com apenas uma refeição diária (uma barra de cereal antes de dormir), construiu uma obra respeitada por muitos acadêmicos, vertida para o cinema, e claro, pelas pessoas comuns e incomuns, como ele, publicando livros como Pulp, Hollywood, Notas de um velho safado, Ereções, Ejaculações e Exibicionismos e Crônica de um amor louco, além de várias poesias inéditas no Brasil. Bukowski nos mostrou um pouco da realidade de um mundo que lutamos para não enxergar, mas que é o nosso mundo.
domingo, 9 de janeiro de 2011
O Segredo da Crisálda - lançamento
No dia 29 de janeiro deste ano, na Rua Henrique Schaumann, 777, será lançado o livro O Segredo da Crisálida, no qual participo com o poema Écrivaillerie. A opção pelo título em francês surgiu por dois fatores, um empírico, outro expressivo. Empírico porque na época em que o escrevi, há um ano, estava fazendo um curso intensivo de francês, expressivo, porque o significado desta palavra, que deve ser de alguma forma buscado pelo leitor, revela, ou ao menos contribui, para a formação do significado do próprio poema, em sua temática. Ao falar de amor, compõe-se a fala sobre o fazer poético, tema principal deste poema.Esta é a minha terceira paricipação em antologias, duas de poemas e uma de contos, e fiquei muito feliz ao receber o miolo da obra. Na apresentação, Andréa Catrópa, organizadora da obra, doutoranda em teoria literária e coordenadora do programa Ondas Literárias, escreve que "no caso da temática, predominam textos que recorrem a tópicos tradicionais da lírica, como o amor, o tempo, a indagação metafísica e os questionamentos sobre o próprio fazer poético. Mas surgem, também com força, referências a elementos da fantasia e do sobrenatural, recorrendo a um encadeamento narrativo que permite a criação de mundos paralelos, não referenciais às situações cotidianas."
Nesta antologia, predominam os autores ligados às áreas das Letras, de graduandos a doutores, mas também participam profissionais de outras áreas do conhecimento, como historiadores, roteiristas, bibliotecários, geógrafos e jornalistas, enriquecendo o conhecimento de mundo que permeia os textos.
Em Ecos da Alma, publiquei dois poemas, um que fiz imediatamente após receber um e-mail de alguém com quem convivi e por quem tive um sentimento muito intenso e bonito, mensagem que trazia um pouco da temática nela expressa, e outro que escrevi em Portugal, sob a estátua da poetisa Florbela Espanca, na praça de Évora. Dois momentos inspiradores. São pequenos recortes de experiências que vou construindo lentamente, e que na gaveta, ou melhor, pelas pastas do Windows, vão constituindo uma antologia própria.
Nossas palavras
Diga-me tuas palavras,
Aquelas que gosto de ouvir,
Que ressoam pela tua língua no meu corpo.
Direi também as minhas,
Coladas com os teus sons,
Quando nossas línguas se tocarem entre si.
Assim se dirão as melhores frases,
As mais intensas e poéticas já construídas,
Cheias de tons, estilo, imagens e símbolos.
Não queiram estudar a nossa sintaxe,
Somente nós a entendemos, só nós sabemos explicá-la.
Faz-me calar, aliás, faz-me dizer apenas as nossas palavras.
Vozes da poesia
Posso sentir as palavras que o vento me traz,
Mais do que isso, posso vê-las.
São cantadas por Mariana e Florbela,
Correm os vastos campos do Alentejo,
Alimentando os ares de vinho e cores.
Homens passam, carros passam, os dias passam,
Contudo, cá e lá estão os versos de amor,
Os versos de dor, os versos de alma.
E a condição de ser humano se renova
Termina o poema, permanece a poesia.
Lê-lo, pois, é permitir extasiar-se,
Destruir as aflições pertencentes ao cotidiano,
Por poucos minutos, em que enxergamos
Com os olhos do poeta, com a música da poesia.
Passamos a ouvi-la pela eternidade dos anos.
A matéria palavra
As palavras pesam, em silêncio,
As pessoas não,
Pois são imagens retidas no tempo,
As palavras, no coração.
No coração se sente a dor maior,
Do que o tempo não matou,
As palavras, vivas no pensamento,
São eternas em seu pesar.
Não me livro das palavras,
No meu livro, não são sons, são matérias.



